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Curso online de Educação Infantil (Teorias e práticas pedagógicas)

Professor, não grite com seu aluno.

Olá!

Hoje eu estava a procura de artigos sobre a afetividade em sala de aula para trabalhar com meus professores. Vasculhando a net, encontrei muita coisa sobre o tema e algo me chamou a atenção e, acredito, acontece em muitas escolas.

Se existe algo que me incomoda, profundamente, são gritos. Muitas vezes acompanhados de uma terrível expressão facial e palavras de humilhação. Para falar sobre esse assunto, encontrei um texto de uma psicóloga. Texto muito bom!

Contrário a isso, iniciarei com duas citações importantíssimas que falam da afetividade em sala de aula (preciso destacar, em qualquer relação).


Crianças aprendem melhor quando gostam de seu professor, e quando sabem que seu professor gosta delas.


O afeto é essencial para todo o funcionamento do nosso corpo nos dando coragem, motivação, interesse, e contribuindo para nosso desenvolvimento. E é pelas sensações que o afeto nos proporciona que sabemos quando algo é verdadeiro ou não. Principalmente para a criança o afeto é importantíssimo, pois ela precisa sentir-se segura para poder desenvolver seu aprendizado, e é necessário que o professor tenha consciência de como seus atos são extremamente significativos nesse processo, porque essa relação aluno-professor é permeada de afeto, e as emoções são estruturantes da inteligência do indivíduo.
(WALLON, 1995)


“Para aprender, necessitam-se dois personagens (ensinante e aprendente) e um vínculo que se estabelece entre ambos. (...) Não aprendemos de qualquer um, aprendemos daquele a quem outorgamos confiança e direito de ensinar 
(Fernandéz, 1991, p. 47 e 52). 


" Observo muitos professores, na beira do abismo do stress, tentando fazer com que os alunos os escutem e aprendam aos berros. Fico me perguntando, como acreditam que eles vão aprender algo agindo dessa forma? Sabem eles que isso gera um enorme constrangimento ao aluno? Sempre leio nas redes sociais: “gritos não educam”, também entendo que não ensinam. Então, pra que gritar? Não sou professora, entendo o lado “de saco cheio” que muitos possuem, porém, também entendo que de nada adianta reclamar da turma. A válvula de escape de muitos professores é o grito, mas vamos lá, o que pode causar tanto stress numa turma?
Quando questionados sobre afetividade, muitos professores alegam que são afetuosos com seus alunos, e eu acredito nisso. Mas, por que também não o ser na hora das atividades? Que, diga-se de passagem, é a hora mais importante. Seja do ensino infantil ou do fundamental, ser afetuoso vai além do abraçar quando chega ou se despedir quando vai embora. No ato de ensinar precisa ter uma dose também, e das grandes!
Gritar com uma criança é algo assustador, tanto para quem está do lado dela quanto para a própria criança. Muitas vezes ela não vai entender que o grito é para educá-la, até porque nenhum grito é bem vindo numa relação. Quando a criança é pequena o que pode se desenvolver é um medo ou uma vergonha, dependendo a situação que gerou o grito. Já com as maiores, podemos pensar que se desenvolverá uma raiva, uma irritação pelo constrangimento que foi gerado. São muitos os professores que berram com um determinado aluno na frente de outros, e isso não é uma coisa agradável. Crianças também se sentem constrangidas e isso afeta todo o sistema social delas!
Se queremos desenvolver cidadãos que respeitam e que acreditam no futuro precisamos mudar alguns hábitos nas salas de aula. Sei que pode ser difícil, mas acredito que não é impossível. Se você, professor, acredita que ‘gritos não educam’, acredite que também não ensinam. Pois realmente não ensinam! Desenvolvem-se os medos, as vergonhas, culpas desnecessárias e irritação, que prejudicam, que atrasam e que ficam guardadas como rancores de uma aprendizagem mal sucedida. A atividade, que era para ser algo inovador, se transforma em algo assustador e aí as dificuldades aparecem. Outra coisa que pode aparecer também é a violência, que mais tarde, pode ser uma via de escape do aluno.
Eu sou psicóloga e acredito na capacidade de mudança do ser humano, acredito que ele pode, se ele assim desejar. Acredito que podemos mudar um mundo inteiro, se mudarmos nossas atitudes com a infância. Vemos tantas notícias ruins de alunos que agridem seus professores que fico pensando o quão pior ainda pode ficar. Acredito que se tornarmos a aprendizagem mais afetiva, os alunos confiarão mais e acreditarão que são capazes de aprender.
O que grito faz é totalmente o contrário: bloqueia, diminui a autoestima e a motivação do aluno. Quer gritar? Que sejam gritos de alegria, com muita gargalhada. E não gritos de humilhação e medo." por Psi Stephanie Machado Barbosa

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