Brincando de Ensinar


Não há maneira melhor do que ensinar as crianças pequenas do que através de brincadeiras. E os pais podem brincar de serem os professores. São muitas formas de construir essa ligação em família.

Através de exercício de arte você pode deixar fluir a criatividade deles. Encoraje os desenhos, faça elogios e não critique se a criança pintou um cavalo de verde ao invés de marrom. É importante frisar que aquele pedacinho de arte, é um trabalho deles e não seu, então é louvável deixá-los livres para usar a imaginação.

Ajudar a construir a auto-estima da criança desde cedo é definitivo para a vida adulta. Através de um simples desenho, é possível valorizar o que a criança faz. Se a pintura não parece com nada que você viu em vida, ao invés de dizer espantado: “O que é isso?”, é melhor dizer: “Conte sobre seu desenho, estou curiosa.”

Mesmo que você não tenha tempo, o tempinho disponível deve ser valorizado e rico. Criança adora diferentes texturas, comprar tintas, pinceis, colas e “pintar o sete” junto com os filhos pode resultar em momentos mais valiosos do que uma tarde inteira em um shopping.

Outra maneira de exercitar o aprendizado com os filhos é através da leitura. Não há momento melhor do que um filho ou filha ouvir uma história contada pelos pais antes de dormir. Por mais que o cansaço assuma a maior parte do tempo, um leitura estabelece uma ligação forte entre a criança e quem ler para ela. A voz, a entonação, as gravuras do livro, o enredo, as personagens, tudo fica na memória. Quem não tem um livro que marcou a infância?

Esses momentos são também definitivos para investir no gosto pela leitura. Montar uma pequena biblioteca no quarto, incentivar visitas a bibliotecas e livrarias também é válido. A leitura constante só traz benefícios, enriquecimento de vocabulário, fluência na fala, além de uma escrita mais correta.

Incentive também seu filho a montar ou criar seus próprios livrinhos, colagens de gravuras, recortes de revistas, tudo é permitido para abrir espaço para a criatividade, valorize o resultado e exponha em um lugar especial da casa.

Criar histórias juntos e fazer parte delas, qual criança não gosta? É um momento também de exercitar temas como educação, respeito e obediência a regras. Brinque de dirigir e explique sobre como transportar crianças em um carro com segurança, brinque de fazer comidinhas e explique a importância de uma alimentação saudável e por que durante a merenda escolar é melhor levar uma frutinha de casa. São infinitas as alternativas.


Você brinca com seus filhos?

A arte de ensinar crianças e adultos


Uma das maiores transformações para uma criança é a entrada na escola. A primeira escola deixa marcas para toda a vida. A primeira sala de aula, a primeira professora. A hora do lanche, do recreio, novos amigos e o início de uma responsabilidade que vai durar parte da vida produtiva, que é o aprendizado escolar.

 Ensinar crianças talvez seja uma profissão que esteja na lista das que mais se exige dedicação porque além dos assuntos pertinentes a cada fase e classe, o papel da professora de ensino infantil se alarga também para outros campos. É que ela participa também da formação educacional e pessoal da criança em fase de crescimento, é o professor de ensino infantil que representa um modelo da figura adulta que não é pai e nem é a mãe.

E pessoas que escolhem fazer uma faculdade de pedagogia por exemplo, desenvolvem o gosto por este universo de mútua instrução, não só passar, mas receber conhecimento. Paulo Freire disse sabiamente que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

A pedagogia inclui uma metodologia que habilita o profissional a exercer a educação infantil, fundamental, orientação educacional e também supervisão e direção escolar.

Usualmente a vocação profissional ou o perfil de um candidato a esses cargos requer uma ligação com atividades de supervisão e desenvolvimento de projetos de ensino, um olhar voltado ao coletivo e individual, já que exercita a orientação de professores e educadores dentro de uma escola, além do gosto pelo universo instrutivo do saber.

Com a tecnologia e as mudanças nas formas de realizar atividades, o curso de pegagogia tem crescido também na modalidade a distância, metade dos matriculados neste curso são alunos de EAD, segundo pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Porém, a maioria já tem alguma ligação com a área antes mesmo de iniciar.

Diferente do que muitos pensam, esses cursos não são mais fáceis do que os presenciais. A parte escrita é mais exigida porque há uma demanda maior já que tem menos a comunicação oral, como nos cursos presenciais, de acordo com a docente da PUC-SP, Maria Elizabeth de Almeida.

De qualquer forma, o pedagogo que escolhe se dedicar ao universo infantil de ensino, desempenha o talento de lecionar e dar oportunidade de criar pessoas melhores. Desperta o prazer do conhecimento em uma fase de formação, que servirá para o futuro não só do aluno mas da sociedade.

Porque aprender é para toda a vida


O universo do aprendizado é uma base sólida para toda a vida. Quando o indivíduo é exposto a ricas informações e pode através delas aprender, ele exercita o enriquecimento pessoal. Uma maneira de investir nessa área é o contato direto com as fontes de conhecimento. Ler, escrever e exercitar a mente.

Muitos pais sabem desse valor e acertam quando desde a pequena infância dão oportunidade para os filhos de estarem em contato com o mundo dos livros, das historinhas, das brincadeiras lúdicas. Você dedica tempo para essas atividades com seus filhos?

Em qualquer exercício é importante a presença dos pais, mesmo que o espaço de tempo não colabore muito. Em determinadas faixas etárias, quando a criança já desenvolve um grau de autonomia esse processo vai dando espaço para observação de resultados. Um dos grandes desejos dos pais é o investimento em cursos extras, fora do currículo escolar. Desde que haja um bom senso, e não um bombardeamento de tarefas, vale a pena.

Cursos de línguas talvez seja um dos mais frequentados, com o amadurecimento é possível até ter a experiência de um intercâmbio. Que nada mais é do que um curso de línguas realizado no país cujo idioma escolhido é o oficial. O planejamento pode começar cedo, tanto no que concerne ao preparo didático, como a questão financeira.
São milhares de estudantes brasileiros que apostam nessa vivência por um determinado tempo fora do país. A partir de 12 anos é possível se inscrever em um desses programas cuja modalidade mescla aulas da língua e atividades extra-curriculares. Para essa faixa etária o intercâmbio funciona como um curso de férias.

Mas alguns especialistas defendem que a partir dos 15 o estudante está mais preparado para se adaptar, mesmo que o tempo de permanência não seja longo, uma viagem internacional demanda mais desafios. Entre os destinos mais procurados está a pequena cidade inglesa Cambridge, e claro, a capital da terra da rainha, Londres.

No entanto antes de um estudante estar pronto para enfrentar as diferenças de um outro país, é preciso uma preparação, não somente no estudo da língua escolhida - quanto mais base melhor será sua evolução na fluência; como também a autoconfiança e desenvoltura para lidar com diferentes situações em terras estrangeiras.

Por isso aconselha-se respeitar a vontade do aluno, em querer ou não participar desse contexto. Mais uma vez a relação familiar oferece ao aluno o alicerce para auto-estima e a evolução pessoal, posições significativas para tal experiência.

Cerca de 90% dos alunos que voltam de um curso no exterior revelam que o contato com outras culturas traz um novo olhar sobre o mundo.


Você gostaria que seu filho(a) estudasse no exterior?

Texto enviado por Roberta Clarissa Leite, colaboradora do site Faculdade.net

O meu filho escreve as letras ao contrário, o que fazer?

O processo de escrita envolve vários conceitos e competências que a criança vai amadurecendo à medida que cresce e as exercita: a lateralidade, a motricidade fina, a aprendizagem dos códigos alfabético e numérico, entre outros.

Porque escrevem as crianças ao contrário? A aprendizagem da escrita deve-se a vários fatores que envolvem mecanismos motores e cognitivos.
O processo de escrita envolve vários conceitos e competências que a criança vai amadurecendo à medida que cresce e as exercita: a lateralidade (saber distinguir a direita da esquerda e noção espacial), a motricidade fina (capacidade de manipular um lápis, por exemplo), a aprendizagem dos códigos alfabético e numérico, entre outros.
Neste artigo da Drª. Ana Lúcia Hennemann encontra a resposta a esta pergunta e sugestões de jogos divertidos para fazer com o seu filho. Boa leitura!
Quando as crianças iniciam a escrita das primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem que evidencia uma nova etapa na vida da criança...
Ao compor as suas primeiras escritas as crianças mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizagem. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.
Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados... algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?
Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que a criança tenha o entendimento que nós adultos temos de que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.
Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central, [...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, da sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), da postura (eixo postural), da sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e do seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).
De acordo com o manual de neurologia infantil de Diament (2005), a partir dos 7 anos a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda. Da mesma forma, encontra-se em fase de maturação de áreas visoespaciais, portanto é perfeitamente normal apresentar ainda algumas trocas na direção da sua escrita, pois está em processo de aprendizagem, sistematizando as suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos.
Porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia. Se no final do ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, com vista à “escrita correta” das palavras, deverá fazer-se uma avaliação mais detalhada.
Dehaene (2012) demonstra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação. Por esse motivo quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”.

A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos 8 anos
. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.
A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerda-direita, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007).
No entanto, na sala de aula existem professores que consideram "errado" quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados. Por isso é necessário esclarecer que, antes de se considerar certo ou errado, é necessário realizar atividades que propiciem alateralidade.
No processo de alfabetização, pais e professores, devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo.
Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que:
  • A criança tem que manipular um repertório de habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual), um processo que envolve muitasfunções cerebrais, tais como atenção, memória, perceção (integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras.
  • O processo de aprendizagem da escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso espacial, ou seja, visualizar o que está a ser apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo no caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita.
  • Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, o processo de aprendizagem da escrita será automático, ou seja, a criança não precisará de monitoramento cerebral constante para executar a tarefa e terá condições para aumentar o nível de complexidade da escrita.
Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia na escrita: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto.
A escrita como um sistema organizado manifesta a nossa capacidade de simbolizar. É um processo complexo e a sua aquisição exige o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.

Artigo original: Ana Lúcia Hennemann, 5 de abril de 2013

Professora – Neuropsicopedagoga (CENSUPEG), Especialista em Educação Inclusiva (CENSUPEG), Especialista em Alfabetização (UNICID) e Estudante de Psicologia (FEEVALE)

***Fonte: http://www.maemequer.pt